O projeto Jogo Justo, que tem como idealizador o administrador Moacyr Alves Júnior, vem ganhando força neste segundo semestre de 2010. Com o objetivo de diminuir os impostos sobre os consoles e jogos importados vendidos no Brasil, o projeto busca mostrar que é capaz da indústria de games se desenvolver no país.
Os impostos que recaem sobre os produtos dos videogames chegam a 72.18% do valor total, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, elevando absurdamente o seu valor no mercado. A proposta é reduzir estes quase 80% de impostos para 15%, assim, um jogo que custa R$250,00, por exemplo, passaria a ser vendido por R$90,00.
Para isto, primeiro é preciso mudar a classificação em que os jogos eletrônicos se encontram na Receita Federal. Eles estão na mesma categoria que as máquinas de caça-níqueis (jogos de azar). Conseguindo isso, o Imposto de Importação (II) cairia de 16% para 5%. Além do Imposto de Importação, será necessário reduzir outros impostos, como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), PIS/COFINS (Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Empresas de grande porte têm apoiado a causa, na esperança de se conseguir alavancar este mercado no Brasil. Para mostrar o interesse da indústria internacional de games no território tupiniquim, pode-se citar o apoio de algumas empresas de renome, como a Konami, Blizzard Entertainment, Square Enix, Eletronic Arts e Hudson. Grandes revendedoras também demonstram o seu apoio, a exemplo da Ponto Frio e a gigante do setor varejista Walmart. Além disto, diversos sites relacionados a jogos ou a “cultura gamer”, e até editoras de livros, como é o caso da Devir Livraria, apóiam o projeto Jogo Justo.
Com a movimentação nas redes sociais, a cada dia que passa o projeto recebe a atenção de vários gamers de todo o Brasil. Isto mostra que não só as empresas estão interessadas na redução dos impostos sobre os seus produtos, mas também que uma grande parcela do mercado consumidor está disposta a deixar a pirataria e passar efetivamente a comprar os jogos.
É o caso do estudante de Ciências Sociais e gamer “de carteirinha”, Rodrigo Louriçal. Segundo ele, “se o projeto der certo e os preços realmente baixarem, vai se tornar viável a compra de jogos originais. As pessoas baixarão da internet apenas as versões de teste dos games e se gostarem, irão às lojas comprar a versão completa do jogo”.
O Projeto
O Projeto Jogo Justo quer seguir o mesmo modelo do mercado de games no México, onde o governo reduziu os impostos sobre os jogos eletrônicos e incentivou as grandes empresas do ramo a investir no país. Isto fez com que a indústria de jogos eletrônicos crescesse rapidamente sendo, hoje em dia, oito vezes maior do que antes.
Além da redução de preço dos jogos/consoles importados e a diminuição da pirataria, Moacyr Alves defende, também, que “com os incentivos fiscais, grandes indústrias de games irão se instalar no Brasil, aumentando assim a oferta de emprego”.
A expectativa é que até ao final do ano, o projeto Jogo Justo consiga coletar informações sobre o mercado de jogos eletrônicos e apoios suficientes para montar um relatório e encaminhá-lo, junto com as propostas, à Receita Federal.
Pirataria
É importante lembrar que a pirataria não está apenas na compra de jogos eletrônicos em camelôs ou banquinhas da cidade. Mas também ao se fazer o download de um jogo em sua versão completa na internet. E esta é uma situação onde nem a Receita Federal consegue controlar ou até mesmo acompanhar os números.
Para saber mais sobre o Projeto Jogo Justo, acesse www.jogojusto.com.br
Rua Cônego Machado, 983-C
www.quad.com.br